São Paulo, 30 de Julho de 2010 - 18:33

Leilão A-5 é marcado por forte competição e ausência estatal

Gesel vê maior participação de empresas médias nas próximas licitações

Por Luciano Costa

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Crédito: gettyimages

O leilão A-5 de hidrelétricas, realizado nesta sexta-feira (30/07), terminou com um preço médio de R$99,48 por MWh e deságios que foram de 10,85%, na UHE Colíder, até 18%, na UHE Garibaldi. O resultado foi comemorado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na entrevista coletiva após o certame.

"O preço médio do leilão é uma boa notícia, até porque se falou muito do aumento das tarifas por culpa da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC, encargo cobrado nas contas para subsidiar a geração térmica na região Norte)", comentou Edvaldo Santana, diretor da Aneel. Altino Ventura Filho, secretário de Planejamento do MME, se disse "satisfeito com os resultados, que trouxeram custos satisfatórios e competição".

Para o coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel/UFRJ), Nivalde de Castro, a novidade ficou por conta da entrada de players menores e de médio porte na competição. O professor acredita que esses empreendedores ganharam novo status após o leilão de Belo Monte, quando um consórcio com empresas menores desbancou o favorito, liderado por Neoenergia, Andrade Gutierrez, Vale e Votorantim.

"Eles certamente entraram no leilão com bastante vontade de vencer e até por isso estão aceitando taxas (de retorno) menores. As grandes construtoras vão agora encontrar um ambiente mais competitivo", avalia Nivalde.

Um dos destaques do leilão foi a ausência da Eletrobras entre os vencedores, já que a estatal colocou suas subsidiárias para disputar todos empreendimentos licitados. Mas, para o consultor João Carlos Oliveira Mello, da Andrade & Canellas, a derrota da companhia não surpreendeu.

"A Eletrobras já está com muitos compromissos em outras grandes obras, como Belo Monte, Jirau, Santo Antônio. Imagino que ela não tenha aporte para todos esses projetos. Ela deve ter tentado entrar em uma posição mais confortável, e não conseguiu", explica Mello.

Uma participante destacada pelos especialistas foi a Copel, estatal paranaense que ganhou a concessão da UHE Colíder, no rio Teles Pires. Para Nivalde, do Gesel, a empresa "ressurge das cinzas" para tentar recuperar sua posição no mercado e para isso tem aceitado taxas de retorno menores em seus investimentos. João Carlos também se disse surpreendido pela vitória da companhia em Colíder, usina localizada no Mato Grosso, longe da área de atuação da estatal.

No final do certame, quatro Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) conseguiram vender energia, com preços abaixo do teto estabelecido para essas usinas, de R$155 por MWh. O valor havia recebido críticas de associações que representam a fonte. "De certa maneira, isso está descredenciando muito essas associações", avalia Nivalde, que não restringe as críticas somente ao setor de PCHs. "Antes do leilão elas (as associações) fazem críticas contundentes e, quando sai o resultado, tem deságio. Elas têm perdido credibilidade junto ao governo", afirma o professor.
 

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